sábado, novembro 15, 2003

Ainda a tecnocracia

Os actuais regimes demo-liberais caracterizam-se por serem dirigidos na prática não por um homem ou uma equipa política agindo através de instituições visíveis e definidas, mas sim pelo poder de uma casta de alguns milhares de directores dependentes do sector privado ou do sector público, tendo recebido a mesma formação, únicos iniciados no funcionamento complexo da economia moderna da qual preservam ciosamente os segredos, mantendo os outros num estado de conhecimento fragmentário.
Motivados mais pela vontade de poder dada pela manipulação das forças económicas que pelo simples desejo de enriquecer – já satisfeito –eles têm uma consciência profunda da sua superioridade. O seu desdém pelos outros homens, que eles não vêem senão através de estatísticas e gráficos económicos, é total. Para eles as comunidades humanas não passam de enormes sociedades anónimas das quais o funcionamento anárquico deve ser ordenado pela criação de um grande mercado planetário racional e normalizado. Os senhores ocultos do capitalismo estão bastante próximos dos seus colegas soviético, pelos quais têm uma visível admiração. Eles aderem aliás em grande número aos esquemas marxistas que justificam as suas ambições em linguagem pseudo-filosófica. Pouco ansiosos de publicidade, desdenham a prática política, que lhes é submissa, camuflam o seu poder real por trás do pára-vento que são as instituições, os políticos, os fabricantes de opinião.
A cortina das grandes palavras (democracia, socialismo, liberdade, progresso) permite-lhes enganar o povo e mantê-lo sujeito.
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TECNOCRACIA: fase actual da evolução das sociedades capitalista e comunistas, fundadas sobre um mesmo conceito materialista da tecnologia e uma mesma filosofia da indiferenciação. É caracterizada pelo poder da casta (particularmente implantada em Portugal), pelo estabelecimento de um plano económico ditado por tecnocratas, pelo estrangulamento das profissões independentes e pelo emprego de técnicas de anestesia e sujeição nas populações exploradas. O Mercado Comum é uma realização tecnocrática.
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(in “Combate”, “órgão nacionalista de acção revolucionária”, Outubro de 1977)