Os homens precisam de discriminação positiva?
Recentemente um médico com responsabilidades dirigentes na sua classe profissional a nível do Norte do país veio alvitrar a necessidade de estabelecer quotas mínimas de entradas em Medicina para alunos do sexo masculino, de modo a conseguir pôr algum travão no predomínio estatístico das mulheres nessa profissão. Algumas vozes, no meio em causa, pareceram pronunciar-se favoravelmente, se bem que com um certo pudor, como foi o caso do próprio bastonário.
O ineditismo da proposta provocou algum alvoroço (veja-se que a situação oposta é que tem sido recorrente, insistindo alguns sectores em apresentar propostas para a fixação de quotas mínimas de mulheses em certas profissões e cargos). Mas depressa foi esquecida (julgo eu).
Mesmo assim ainda provocou alguns protestos, como se encontra no site "Mulheres em Acção".
Por mim, fiquei intrigado com dois aspectos. Primeiro, não encontrei expressa nas tais propostas nenhuma justificação de motivos. São as mulheres profissionalmente menos capazes de nos tratar da saúde? São os homens um grupo social fragilizado e desfavorecido que necessita de medidas de discriminação positiva?
Creio que se torna necessário explicitar a fundamentação da ideia. Não basta a constatação da predominância cada vez maior da presença feminina nos cursos de Medicina. É preciso saber se o facto é negativo, ou é positivo, ou nem uma coisa nem outra. Se for irrelevante também não vale a pena combater o fenómeno.
O segundo aspecto que me deixou perplexo é este, e não deixa de me assaltar sempre que me lembro do assunto: como se sentiriam os rapazes que entrassem em Medicina ao abrigo das tais quotas? Conseguiriam olhar de frente para as colegas que com eles terminassem o secundário, com notas francamente superiores, e que ficassem de fora do curso por força da tal quota reservada em função do sexo?


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