quinta-feira, outubro 09, 2003

Um espectro

As agências noticiosas espalham hoje uma notícia com o título apavorante “Vasco Gonçalves reaparece”.
Vai-se a ler, e afinal não se trata de fantasmas, nem de almas penadas, mas apenas do reaparecimento público da demencial criatura que em histérico delírio nos desgovernou há uns anos atrás.
O pretexto é um jantar organizado em Coimbra pelo PCP (o que resta do sinistro agrupamento agora dedica-se à militância ajantarada – que as forças já não dão para mais, e se não for à mesa já não reúne mais do que trinta reformados).
Mas ainda assim isto fez-me lembrar os tempos em que os nossos académicos, somados a diversos pequenos e médios intelectuais, encontravam extraordinária riqueza na desconchavada oratória do camarada Vasco, e chegaram até a publicar um livro colectivo dedicado exactamente ao estudo do linguajar vasconço.
Nada de mais, porque também aquela luminária do Machel a seu tempo foi proclamado um prodígio de sabedoria e eloquência – e doutorado “honoris coisa” por Coimbra.
O culto do fantástico, da ficção, e do humor negro, já vem de longe.