terça-feira, dezembro 09, 2003

Vitorial

Marcham todos juntos
(Que amor os irmana?)
Destruindo muros
Libertando espaços.

Vão para o futuro
Que os seus passos traçam
Ágeis e seguros
De alcançar os altos.

Cantam porque sonham,
Contra a fome e a náusea,
Uma pátria heróica
De espigas e espadas.

E a rapariga
Que lhes ouve o canto
Atira-lhes risos
De açucena branca.

E a mulher que aperta
O filho nos braços
Atira-lhes beijos
Da rosa dos lábios.

E a velha que reza
Rosários de esperança
Atira-lhes pétalas
Molhadas de lágrimas.

E o velho que fica?
E aquela criança?
Ele olha mais firme
e ela mais claro.

Que anda um sol fecundo
Reflorindo os campos,
Nascido na luta
Dos homens que marcham.

António Manuel Couto Viana