sexta-feira, março 05, 2004

Aborto. Esmorecida a ofensiva, voltam os falsos consensos, as veneradas mentiras de conveniência. Afinal, dizem, ninguém é a favor do aborto. Ninguém - confirmam todos abanando as cabeças com ar compungido. E lá vão, abraçados, todos diferentes todos iguais.
Lamento o mau jeito - mas é falso, rotundamente falso. Há quem seja a favor, entusiasticamente, militantemente a favor.
No tempo em que essa polémica rebentou na praça pública (o que me tornou decididamente contra, sem reservas nem meias tintas) um slogan que unia as forças então mobilizadas a favor da plena legalidade de tais práticas era "aborto livre e gratuito, já". A reivindicação exposta era que se abrissem todas as portas do sistema nacional de saúde a quem o desejasse, para que se fizessem os abortos pedidos, em segurança e gratuitamente, sem outra limitação ou condicionamento que não fosse a manifestação de vontade da interessada. Não era admitido outro fundamento! Só a vontade e a liberdade ...
Era o tempo em que se apregoava que o abortamento tinha que chegar a ser considerado uma intervenção tão banal como a extracção de uma verruga - hoje seria a realização de um lifting - como condição de plena libertação da mulher.
Um projecto ideológico, puramente ideológico ... Não há ninguém a favor?!!!