sábado, março 06, 2004

Fim das ideologias?

Este Sábado reparo nuns cartazes espalhados pela cidade: "Manifestação - Contra a Carestia/ Melhores salários".
Num cantinho, quase invisível pelo destaque das letras gordas, a origem da chamada: CGTP.
Parei a meditar na profundidade da mensagem: tem a mesma "carga ideológica" do exemplar "não pagamos, não pagamos..."
E lembrei-me daqueles aldrabões contratados que nos telefonam para casa a informar que num desconhecido sorteio fomos contemplados com um magnífico prémio... que é preciso ir levantar ao salão de certo Hotel. Chegados ao Hotel, (quem cair nisso) somos brindados com uma sessão de vendas de lotes e lotes de produtos inúteis, a que de outra forma ninguém teria ido. Lembrei-me também de certos circos, no fim das feiras, que dão a volta à cidade a anunciar que a partir de hoje as criancinhas entram sem pagar. Sempre lá caem alguns progenitores, que remédio.
É a filosofia dos bailes de sociedade recreativa: grátis às damas...
O que é preciso é levar lá alguém; e sem isco que adoce a boca ninguém lá vai. Ainda os veremos a anunciar caramelos para quem comparecer, ou um sorteio entres os presentes - a quem calhará uma magnífica televisão, com 300 canais?
Carga ideológica? Pois sim: se for para pagar, "não pagamos não pagamos"; se for para pedir, "contra a carestia, melhores salários".
Será a isto que chamam o fim das ideologias? Ou será só o fim de algumas, que morreram e até disso têm vergonha?