sexta-feira, março 05, 2004

Mais do mesmo. As justificações apresentadas para a legalização nesta polémica sobre o abortamento voluntário são classificáveis em dois grandes grupos, de acordo com a fundamentação ideológica.
Um quadro justificativo tem a ver com argumentos de natureza socialista-eugenista. É a questão das "condições objectivas", da "vida digna", da "criança desejada", dos problemas relacionados ou com o feto (não pode chamar-se criança), ou com aqueles que o hão-de receber, ou com o meio envolvente.
Outro quadro fundamentador parte simplesmente de uma cosmovisão liberal-capitalista. A mulher é dona do seu próprio corpo, pode fazer com ele o que quiser. A propriedade absoluta, a liberdade sem outro limite que não a própria vontade. O feto (também não pode dizer-se criança) é um fruto do tal capital - o corpo.
Estas linhas de argumentação com frequência misturam-se e apoiam-se reciprocamente. Não é de admirar: são convergentes, conduzem à mesma conclusão desejada. E desejada porquê? Porque se trata da afirmação lógica de pressupostos ideológicos, de modelos idealizados.
Com que então não há ninguém a favor?!!!