terça-feira, março 02, 2004

Públicas virtudes

Esta batalha sobre o abortamento voluntário tem o mérito de trazer ao de cima muita porcaria e trafulhice que usualmente se esconde sob as águas estagnadas. Como eu disse, da agitação sempre alguma coisa surge.
Nomeadamente, revelam-se à transparência os hábitos instalados nas inatacáveis redacções, esses templos de virtudes cívicas.
Há dias chamei a atenção para a existência de duas sondagens em linha, uma num jornal digital e outra na versão on-line de um diário "de referência", onde os internautas eram convidados a dar a sua opinião sobre uma magna questão: deverá ou não fazer-se outro referendo sobre o malfadado assunto?
Isso acontecia no "Público", na secção "inquéritos", e no "Diário Digital", na secção "sondagem".
Depois fui seguindo os resultados. Estes eram muito iguais nos dois locais indicados. No "Diario Digital" a dita continua à disposição de quem queira pronunciar-se. Mas algo esquisito sucedeu no "Público": a sondagem desapareceu. De todo. Na secção respectiva está agora o inquérito em curso (sobre Sousa Franco, também não está mal vista a substituição), e estão os inquéritos passados ... todos menos esse.
O que teria acontecido? Mistério profundo ...
Agora é a vez da TSF nos convidar a opinar sobre o mesmo assunto. A pergunta é a mesma, mas o resultado por enquanto apresenta larga vantagem para os que pretendem novo referendo (com resultado oposto ao último, será escusado dizê-lo).
Já que eles fingem querer ouvir-nos, desafio os leitores: façam-se ouvir. Vão-se à TSF. Votem. Divulguem e levem outros a votar.
Quando aquilo for retirado, podem ficar tranquilos - já estava a dar "não"...