Todo o Alentejo deste mundo
Aproxima-se o grande acontecimento deste mês de Março no Alentejo: a 21ª edição da OVIBEJA.
A mais conseguida realização da sociedade civil alentejana (existe!), neste caso protagonizada pelos agentes económicos bejenses. Em termos de projecção pública, é mais que certo que só terá rival nas Festas do Povo de Campo Maior, que virão lá para Setembro.
Informem-se já sobre a agenda da OVIBEJA.
Entretanto, queria sublinhar um pormenor, para comunicar um gosto muito pessoal: a flor de esteva. Há muito que surge em lugar de destaque na propaganda do certame bejense, como símbolo em cartazes e folhetos. Ora acontece que desde há uns anos tenho matutado em qual o símbolo mais adequado para o Alentejo, todo o Alentejo. E nada melhor me ocorreu que aquela flor, da mais prolífera, vivaz e persistente das plantas infestantes do mato alentejano. Planta que ninguém semeia nem colhe, que nasce onde calha e onde quer. A bela flor de esteva, de delicadas pétalas brancas a rodear o centro amarelo, com cinco pintas de sangue dispostas em círculo, pareceu-me a melhor escolha. A sua beleza suave e discreta, a ligação tão forte à mãe-terra que mal se colhe logo murcha e se amarrota, numa recusa de vida emprestada, cortada das raízes, é bem a nossa bandeira.
Sem nunca o ter dito a ninguém, era já há muito, cá dentro, a minha bandeira.


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