quinta-feira, julho 01, 2004

Páginas do meu dário: a crise política

Estou com a suspeita que o Presidente Sampaio, para desespero do comentador Buíça e sua gente, está decidido a tramar o Santana, e só está a gerir o seu tempo. Explicando melhor: ele não queria de modo algum ser acusado de atrapalhar a Europa. Então tinha que desligar uma coisa da outra (a nomeação de Barroso e a nomeação de Santana). Dar os parabéns a Barroso, dizer que foi uma grande honra para Portugal, deixá-lo ir sem inviabilizar a decisão. Mas não se comprometer com a questão da substituição, que no interesse da jogada dos outros teria que ser rápida, imediata, como uma verdadeira substituição. Com esta gestão do tempo, pretextando que tem de ouvir as personalidades, os partidos, etc., etc., está por um lado a permitir a entrada de Barroso em funções mas a deixar passar o tempo suficiente para que se gere um ambiente de polémica à volta da indigitação de Santana, para depois poder vir dizer com ar contristado que não existe qualquer consenso e que tal aventura é fonte de instabilidade, até no próprio PSD. Pode perfeitamente solicitar ao Governo ainda em funções que continue como governo de gestão até à realização de eleições gerais antecipadas, chefiado pela Dra. Manuela Ferreira Leite até à posse do novo governo eleito, alegando que não existem condições políticas nem legitimidade para nomear novo governo sem novas eleições.
Vamos a ver. Mas o homem às vezes é mais tortuoso do que a sua aparente bonomia leva os incautos a acreditar, e receio bem que os impulsivos rapazes da turma dos ex-MRPPs o terão subestimado.