Évora - que gestão municipal?
Não há forma de iludir a questão: está instalado, pesadamente instalado, na opinião pública eborense um clima de desilusão, descrença e frustração quanto ao actual estado de coisas no município.
Esta temporada de feira e festas populares, de mistura com a actualidade futebolística, ainda poderiam ter tido o efeito psicológico de trazer um novo alento aos responsáveis e uma nova esperança aos administrados. O pessoal bem queria.
Mas a realidade impõe-se: a pobreza disto tudo, a miséria da "cidade de pau e de lona" com que nos brindaram, retrato vivo da decadência, a culminar agora no episódio ridículo do mini-écran gigante na Praça (publicitado previamente em anúncio no "Diário do Sul"!), deitaram por terra qualquer vestígio de confiança que restasse.
Leia-se a este respeito o tom que vai imperando na blogosfera local (v. g. Mais Évora e Évora Comentada) e constate-se o impasse a que isto chegou.
E o pior é que não se alcança qual a saída política para este estado de coisas.
O regresso ao PCP é impensável: o abilismo acabou, Lino de Carvalho morreu, e a realidade museológica em causa também não aparenta muita saúde. Para além da velha sabedoria popular alentejana - pra trás mija a burra...
O PSD local não demonstra capacidade para se erguer em alternativa política. Mesmo em época em que o partido ocupou o governo, com o que isso implica de sedução para quadros locais ambiciosos, o PSD de Évora nunca foi capaz de apresentar melhores soluções que um desastrado Amílcar Serrão ou um reformado Carmelo Aires ou um Óscar Almeida de refugo.
Não existem outras forças políticas localmente organizadas, pelo que outras candidaturas são meros actos de presença.
Resta portanto o próprio PS. A solução teria que estar no PS. E isto vale por dizer que teria que estar no próprio Dr. Ernesto de Oliveira, porque outro PS não se vê (e o que se vê não adianta: vê-se o Dr. Capoulas todo lampeiro a raspar-se para o Parlamento Europeu e o Dr. Zorrinho impante de felicidade a regressar a São Bento).
Mas creio que chegámos à razão maior do desespero; na verdade, a gente encontra o Dr. Ernesto, sorri e cumprimenta, trocam-se duas palavras de circunstância, encontramos por vezes também Miguel Lima, Fernanda Ramos ou João Libório, e a sensação que fica é que nenhum deles tem a menor ideia sobre o que é preciso fazer. Chegaram ali, e agora é aguentar. Tal como as obras que se arrastam, em intermináveis arranjos de rodapé. Não se detecta que tenham um objectivo, um rumo, uma estratégia, uma ideia para a cidade. Chegaram ali e ficaram. Por mais boa vontade que tenham o Dr. Monarca Pinheiro ou o Dr. Alberto Magalhães ou o Dr. Luís Carmelo, que bem se esforçam na pintura, o quadro que temos à vista é este.
Não me atrevo a falar no conhecido Princípio de Peter, mas é impossível não pensar nele.


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