domingo, abril 26, 2009

"Festa da Mocidade"

"Festa popular e festa da mocidade.
Nun´Álvares tinha 23 anos quando da revolução em Lisboa e 25 em Aljubarrota; D. João I, 25 ao ser proclamado defensor do reino e 27 na segunda daquelas datas. O estado maior do Condestável eram rapazes, de pouca idade, com o espírito aventuroso e irrequieto dos jovens, insofridos nas pelejas mas obedecendo cegamente ao chefe.
Com estes se fez a campanha e se assegurou a independência de Portugal.
Hoje como então se exige espírito novo para fazer a revolução nacional, e espírito novo é mais fácil encontrá-lo em novos que em velhos, ainda que haja velhos com mocidade de espírito, e moços gastos por interesses e preocupações que não costumam ser da sua idade. É porém essencial que o espírito da mocidade seja para nós formado na sentido da vocação histórica de Portugal, com os exemplos de que é fecunda a história, exemplos de sacrifícios, patriotismo, desinteresse, abnegação, valentia, sentimento de dignidade própria, respeito absoluto pela alheia. Facto cheio de ensinamentos é o comemorado hoje; homens que sirvam de exemplo para a nossa formação esses que, à volta de D. João I e do Condestável, batalharam e serviram e foram de tamanha estatura que futuros séculos de maravilhas não lhes tocaram nem os puderam diminuir. Sobretudo esse Condestável D. Nuno, depois frei Nuno de Santa Maria, guerreiro e monge, chefe de exércitos e edificador de conventos, vencedor de castelhanos e distribuindo em maus anos seus bens pelos mesmos que derrotara em baralhas para não mandarem na sua terra, erguido por sua valentia no altar da Pátria como a igreja o havia de erguer pelas suas virtudes nos altares da fé, cheio de honras e riquezas e enterrado em vida no Convento do Carmo, na dura estamenha de frade, quando depois de Ceuta lhe pareceu já não ser necessária a espada para defesa da Pátria, mas disposto de novo a tomar as armas, se el-rei de Castela alguma vez tentasse invadir Portugal."

(Salazar, 14 de Agosto de 1935; in Discursos, volume 2º , págs. 53).

2 Comments:

At 12:43 da manhã, Blogger Lory said...

Obrigado Manuel!

 
At 10:13 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Que saudades do tempo em que eram estes os valores que se procurava incutir aos miúdos, logo na escola primária.
Que diferença entre os meus livros dessa altura e as imbecilidades que agora impingem aos jovens em nome do progressismo, pós-modernismo e outras loas.
Que diferença entre a profundidade de um discurso de Salazar e o monte de palavras balofas do actual discurso político.
Se é apenas isto que a democracia tem para dar a Portugal, já estou como o Manuel Azinhal há tempos: mais vale suspendê-la por meia hora, desde que seja pelo pescoço.
Obrigado pelo seu blog, Manuel Azinhal. Por aqui ainda se consegue respirar.

Zé da Lezíria

 

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